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Como cheguei onde cheguei (e não vou parar por aqui)

Nos últimos meses, devido ao privilégio do meu trabalho, dos projetos que eu tenho participado e de alguns sonhos pessoais concretizados, eu tenho tido a chance de conceder algumas entrevistas, participar de podcasts, palestrar em alguns fóruns e contar a minha história em diversas oportunidades.


E, incrivelmente, muitas vezes eu ainda sou surpreendida com a seguinte pergunta: “Como você chegou até aqui?”.


Eu tenho notado que eu tenho diferentes respostas para esta pergunta, porque de fato, foram muitas variáveis que contribuíram para o que tenho hoje chamado de Sucesso. Afinal, eu chamo de Sucesso todos os dias que eu me levanto da cama, com saúde e disposição para viver e fazer o meu melhor.


Mas falando sobre essas variáveis, posso seguramente dizer elas estão relacionadas com o tempo que eu tenho me dedicado com os meus estudos, para aprimorar meus conhecimentos ou para aprender algo novo, estão relacionadas as pessoas que escolhi para me relacionar, para que pudessem me ajudar a crescer e me desenvolver, relacionadas aos ambientes que decidi frequentar, geralmente contagiados com vibrações positivas e com algo que me faz evoluir, e, também está relacionada a “bolha psicologicamente segura” que meus pais decidiram me inserir desde pequena.


Ãh??? Bolha psicologicamente segura??


Exatamente isso. É assim que tenho chamado o que meus pais resolveram fazer para contribuírem com o meu sucesso. E, neste artigo, vou exclusivamente focar nesta variável, mas sem menosprezar todas as demais que fizeram eu chegar até aqui.


Eu chamo de bolha porque eu demorei para perceber que nasci preta, fui preta, sou preta e ser preta é motivo para não estar e chegar em muitos lugares. Na minha casa, meus pais nunca falaram sobre o racismo, não me contaram a história da escravidão, não me chamaram a atenção por eu ter mais amigos brancos do que negros, não me criticaram porque eu alisava o cabelo, por que eu ouvia a Xuxa e eu dançava “É o Tchan”. Meus pais não me alertaram pela sociedade racista que vivíamos, não me disseram que eu poderia ser facilmente confundida como uma ladra, uma doméstica ou uma mulher da favela simplesmente pela cor da minha pele. Meus pais resolveram simplesmente dizer, repetitivamente, Kátia você é: “Igual a todos"; “Não há diferença entre os seres humanos sob o olhar de Deus”; “Não há nada que possa fazer você parar”; “Só siga em frente”; “Seja gentil e honesta”.


E foi assim que eu segui.


Ainda não tenho uma opinião formada se, a estratégia adotada pelos meus pais, foi a melhor estratégia. Na verdade, eu acredito que eles nunca pensaram em "estratégia", eles só encontram uma forma, possivelmente, inconsciente, com o objetivo de proteger seus filhos.


Talvez, se meus pais tivessem me alertado sobre esta desigualdade presente no mundo, eu poderia ter chego ainda mais longe, porque de fato, agora que ganhei mais consciência sobre as coisas que ouvi, que vivi, que senti, eu poderia ter sido mais relutante e progredido ainda mais rápido. Mas por outro lado, talvez, se eu não tivesse nesta bolha que meus pais me colocaram, eu poderia ter desistido mais cedo, porque cansa e dói lutar por aquilo que é justo pra você, mas não tão justo na ótica do outro.


Então, neste momento, eu só tenho que agradecer aos meus pais, por terem sido uma dessas variáveis na minha vida, por terem me ajudado a chegar até aqui. Eu cito aqui a contribuição dos meus pais, mas eu convido você a refletir sobre todas as pessoas que estão ao seu redor te envolvendo em bolhas psicologicamente seguras. Te protegendo da discriminação, da intolerância, da inveja, da violência, da desistência, do egoísmo e de todos os demais sentimentos e situações que podem dificultar você a chegar até onde você quer quer estar.


Eu cheguei (e não vou parar).


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Então, me conta o que achou nos comentários e compartilhe para ajudar a espalhar essa ideia.


Kátia Regina

Mulher | Executiva de RH | Apaixonada por gente, histórias e experiências | Escritora de artigos e rumo a publicação de livro(s)


Originalmente publicado em www.katiaregina.com



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